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Mãe que inspira <3

Mãe que inspira <3

. 3 minutos de leitura

A história de uma mãe que tem enxergado as velhas coisas de uma nova forma.

A Zoy estava em licença maternidade quando recebeu uma carta do então diretor da Esdi/Uerj (Escola Superior de Desenho Industrial, Universidade do Estado do Rio de Janeiro). O texto, endereçado a todo o corpo docente, dizia que se ninguém assumisse a diretoria da escola, provavelmente o curso de design terminaria por passar a ser administrado por um curso maior (como o de engenharia).

Ninguém queria ser diretor. O Rio estava falido, era ano de eleição e o pepino de administrar parte de uma estrutura universitária estadual parecia não estar nos planos de ninguém ali.

Na época, a Zoy já era mãe da Mina, de 13 anos, e tinha acabado de dar luz à Stella.

Com duas filhas em casa, mas temendo a perda de autonomia em um projeto de ensino em que realmente acreditava, a Zoy se juntou ao Marcos para montarem uma chapa para a direção da Esdi. A ideia na verdade era muito mais do que uma gestão a dois: se tratava de uma diretoria feita junto a alunos, ex alunos e funcionários. E assim foram, e assim venceram <3

No dia da posse, a UERJ entrou em greve, e eles aproveitaram esse tempo pra fazer um levantamento de tudo que havia na escola junto a um grupo de 8 alunos. Os ex alunos do Plano B foram ativados para fazer o site da Esdi, e numa articulação com os responsáveis pelo prédio ao lado, conseguiram viabilizar um projeto de jardim e novo portão da escola também.

Era um novo momento pra Esdi, que seria marcado pela abertura desses dois portais. Um online, outro offline.

Desde sua posse em 2016 a Zoy tem inspirado novas formas de enxergar as velhas coisas dentro da universidade. Como diretora e professora, ela tem a possibilidade de propor mudanças e trazer novas matrizes de conhecimentos que possam viabilizar novos pontos de vista – como as aulas que envolvem artistas indígenas e que abordam temas profundos e tão pertinentes num ambiente com os estudantes que entraram na universidade por meio do sistema de cotas, como a ideia de pertencimento.

Teve ainda o papel fundamental na implementação do projeto de acessibilidade na universidade, na parceria com a Ciclo Orgânico, que tem a Esdi como ponto de compostagem do Centro do Rio, e nos mutirões que ajudaram a dar nova vida a espaços antes inutilizados – mas que principalmente trouxeram um senso de comunidade e cultura do cuidado pra dentro da escola – afinal, se ela é pública, ela é de todo mundo.

Como ex aluna e antropóloga, se coloca no lugar dos atuais alunos, lembrando de tudo aquilo que não fazia sentido, e observando o que engessa, o que motiva e o que precisa mudar. E com respeito à instituição e a todos que fizeram a Esdi ser esse símbolo do design nacional, ela pede licença para tentar fazer diferente. Sem medo de arriscar ou de errar!

E é inspirador ouvi-la dizendo que o que era uma universidade elitista, hoje tem muitos alunos negros e de baixa renda que não querem somente estagiar em algum escritório bam bam bam da Gávea. Eles estão tomando posse desses conhecimentos e levando pras suas realidades, abrindo mercados, empoderando suas comunidades por meio do design, e virando reais agentes de transformação social.

Como mãe e educadora, Zoy tem visto como a autonomia do aluno é importante, e faz o caminho inverso levando isso como um aprendizado pra casa. O que antes ela enxergava como uma antecipação de um problema, hoje já encara como uma criação de dependência das filhas a ela. E o que a Zoy mais sonha é que suas filhas encontrem seus caminhos pelo mundo com alegria e autonomia!

Aliás, a relação que ela teve com a mãe moldou muito a forma como ela se tornou mãe pras suas meninas também. Filha de mãe socióloga e educadora, e de pai arquiteto e urbanista, a Zoy sempre viu a paixão dos dois um pelo outro, pelo trabalho, e por aquilo em que acreditavam. Seus pais foram presos durante a ditadura simplesmente por batalharem pelos seus ideais, e ela sempre viu que, apesar de todos os perrengues passados, eles eram felizes e amavam o que faziam.

Designer, antropóloga, educadora, ativista política, entusiasta dos processos colaborativos, hacker do status quo, usuária de óculos de grau há 10 anos e mãe de duas meninas lindas, a Zoy quer educar as filhas para que elas também possam encontrar aquilo que sonham viver no mundo <3

Fotografia . Vitor “Bossa” Vieira

Modelo . Zoy Anastassakis (vestindo Votto Jacarandá com lentes multifocais)